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quinta-feira, 18 de agosto de 2011

24 Outono



Ela nasceu assim, como nascem as folhas em uma grande árvore.
Imperceptível.
Mas sempre presente.
Ligada ao que lhe mantinha viva.
Convive lado a lado com você em todas as estações do ano.
Companheira.
Amiga.
Aguenta a tempestade e desfruta a calmaria.
Observa, silenciosa, os frutos que você planta.
Muitas vezes calada, mas presente.
Você se dá conta da sua presença. Isso é óbvio.
Mas não nota a importância tua para com ela.
Segue vivendo, esperando que o teu fruto floresça. Mas ele não aflora.
Enfim vem o outono e todas as tuas folhas caem, deixando-te sozinho.
Apenas ela permanece.
Imperceptível.
Mas sempre presente.
Então você a vê. Repara-lhe a simetria, as formas.
Percebe como ela te tem em seu íntimo.
Como depende de tua presença.
Como vive por tua causa.
Entretanto você não pode retê-la. Não quer fazer isso.
Precisa libertá-la. Soltá-la ao vento para que seja livre.
Faz parte do círculo natural.
Todas as folhas um dia precisam cair.
Até que o fruto desejado tome forma.
Não será diferente com esta.
Assim ela se solta, flutua e cai.
Ela sumiu de tua vista. Não a sente mais.
Porém ela está ali.
Imperceptível.
Mas sempre presente.

Angelus.
para M.

domingo, 7 de agosto de 2011

15 A Crônica da Ilha

     
     Ao ver o comentário de uma amiga no último post, onde ela o chama de crônica, decidi escrever uma intencionalmente. Mas aí me vem a pergunta: sobre o que falar?
     
     Geralmente, as crônicas refletem sobre coisas do cotidiano, de problemas e dilemas. Pensei em ser mais altruísta e discorrer sobre um problema que aflige outra pessoa. Parar de falar sobre mim, mim, mim.
     
     Cogitei perguntar ao vizinho o que lhe afligia, o que lhe tirava o sono. Porém, certamente, ele me mandaria procurar o que fazer ao invés de tomar conta da vida alheia. É crônica, não revista de fofoca.

     Isso foi só uma hipótese, mas me fez refletir. Guardamos muitas coisas para nós. Aguentamos o fardo sozinho. Seria por falta de um ouvinte que fosse? Ou não sabemos procurar?

     É só um pensamento vago que fabrico solitário, lavado a louça, e o torno público agora. Todavia, creio que exista um temor de compartilhar os sentimentos. Falo por mim, entretanto sei que é um mal comum transformar-se nessa ilha emocional.

     É muito mais fácil dizer “eu te amo” a um cão ou a gato, simplesmente porque eles não irão verbalizar uma resposta. Já um humano... Há uma gama de sentenças que ele pode proferir. Adivinhar-lhe a reação pode ser uma loteria. Só se arrisca quando as chances de agradar são boas. E isso diminui as alternativas.

     Sei lá se isso pode ser chamado de crônica... Mas é de coração. Claro que ninguém vai sair por aí publicando o seu “querido diário”. Porém, quem sabe, construam uma ponte para o continente.

Angelus.

quarta-feira, 3 de agosto de 2011

19 Capturando Sentimentos

     Estou acordado altas horas tentando capturar sentimentos.
     Porém, o que estou sentindo agora?
     Ansiedade. Insônia. Frustração... Tristeza?
     Bom, certamente não é felicidade.
     Vem o sentimento Carinho querendo se manifestar, só que este é rechaçado por outrem em meus pensamentos.
     O que mais?
     Sinto meu pé coçar... Isto é sentimento?
     Não, não. Isto é sensação.
     Mas qual a diferença entre um e outro?
     Já sei:
     Sensação a gente pensa estar sentindo e Sentimento a gente sente sem pensar.
     Em qual dos dois estou agora eu não sei.
     Só ouço o ponteiro do relógio e vejo a luz da lanterna que ilumina o papel rabiscado.
     O silêncio traz a sensação do sono...

     E o sentimento da paz.