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domingo, 11 de dezembro de 2011

8 Confrontação

(La reproduction interdite, 1937)
Réné Magritte
     

     Ele era um cara bem quisto por uns e não odiado por outros.
     Sabia agradar aos próximos e também aos distantes.
     Tinha sempre a palavra certa.
     Até que um dia, nada do que ele falava arrancava a aprovação de um Outro.
     Aquilo, a princípio, lhe deu raiva. Mas de si mesmo. Conforme o tempo passava, o sentimento real foi dando as caras.
     Medo.
    Mas de que?, pensou ele. Não era de si próprio e ele sabia disso.
     Era medo do Outro.
     Isso o fez sentir-se louco, paranoico e por fim, covarde.
     Covarde...
     Era essa a verdade que ele vinha escondendo a vida inteira. Ele tinha medo de ouvir um “não”, ou até mesmo um “sim”. Tinha medo de um olhar duro, quem sabe até de olhar nenhum.
     Foi uma verdadeira bofetada.
     Agora o sujeito passa horas em frente a um espelho, com expressão dura. Encarando um desconhecido e tentando conhecê-lo. Esse estranho não tem medo, isto é sabido. Quem sabe o covarde aprende alguma coisa útil.
     Não será de um dia para o outro que esses dois ficarão íntimos. Entretanto deem tempo a ambos e logo serão como um só. Ou exatamente isto.
     A outra alternativa seria temer até mesmo o próprio reflexo...

Angelus.