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sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

5 No Fim...





Dentre tantos universos
Dentre tantos planetas
O Sol apaixonou-se pela Terra
E esta refletiu o brilho dessa atração

Alimentaram esse amor à distância
Sem perder o ardor
Cobiçando um ao outro
Através de um véu de estrelas

Séculos-luz passaram-se
Enfim é chegada a hora do encontro
Não há mais obstáculos
Não há mais tempo

Correm em direção um ao outro
Abraçam-se num caos de braços e pernas
O desejo explode do peito
Devastando a solidão

Entrelaçam os dedos numa dança lasciva
O fogo consome, queima, grita
Excita
Brincadeira libidinosa de destruição

Os dias e as noites confundem-se
As horas não mais existem
Nada mais importa agora
Eles só querem se amar

Espero que este post não seja o último.

Angelus.


segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

11 Como Não Fazer Uma Declaração De Amor





Não falo dos teus olhos
Falo dos meus, tortos
Que insistem em se virar na tua direção

Não te exalto ao brilho da Lua
Ela não tem luz própria
Muito melhor é o Sol que te esquenta,
Incentivando-te a revelar tuas curvas perfeitas

Não comparo meu amor ao tamanho do mar
A água é salgada
Arde nas feridas que já me causastes

Teu perfume não é o das flores
Elas têm cheiro de morte
Prefiro a vida
A nossa vida de preferência

Não enfatizo teu corpo
Isso qualquer cego pode notar
Digo do meu, que te desejas com ardor

Pra quê pensar em futuro?
Penso no agora
Em como faço para que me vejas
No amanhã eu me repito e penso em como manter teu olhar

Meu amor, enfim, é egoísta
Almeja-te só para ele
Um tratamento paliativo para amenizar esse desejo que não cessa.

Angelus.

quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

13 Fica O Que Sobra



O passado já partiu

O hoje apronta as malas

E o amanhã chega de viagem

Trazendo nas malas presentes desconhecidos

Que venham

Que passem

E que fique o que sobrar

Nada mais.

Angelus.

sexta-feira, 23 de novembro de 2012

13 Como?






Como pode diante de tanta dor, um sorriso brotar?
Como pode saber que não pode ter algo, e mesmo assim essa vontade não sair de você? De onde vem tanto querer?
Como pode realmente ter tanta força para continuar, quando todos seus projetos e sonhos foram destruídos?
Como pode se odiar tanto uma pessoa, e ao mesmo tempo te querer tanto bem?
Como pode ser tão desconfiada, e ter uma total confiança em uma pessoa que é completamente seu porto seguro?
Como pode diante de tantas mentiras, achar verdades?
Como pode achar que certas promessas ainda podem ser cumpridas, depois que o martelo já foi batido com a palavra final, NÃO!...??
Como pode durante o dia uma pessoa não ser nada pra você, e a noite ela ser exatamente TUDO?
De onde vem tanto?
Será do nada?
Posso não conseguir decifrar todos esses mistérios quer cercam a vida
É realmente preciso ter um poder além da vida, para conseguir entender tantas perguntas. Mas acho que existe uma palavra que pode dar um sentido as mesmas... O único e inexplicável sentimento chamado AMOR.



Rayssa Santos.
      Amigos, esse texto/poema foi escrito pela minha querida amiga Rayssa Santos. É mais um caso de amizade expontânea à distância. Desde nossa primeira conversa pelo Facebook, já havia percebido uma sensibilidade poética nela. Até cheguei a perguntar se ela não escrevia também. Ela disse que não. "Não é possivel!", pensei. Depois de insistir um pouquinho, consegui com que ela arriscasse e cá está esse post carregado de sentimentos. Muitos deles (senão todos) compartilhados por mim.
         Acreditem, é o primeiro texto dela. Acho que ela estava escondendo o jogo, hehe.

Parabéns, amiga. Esse foi o primeiro de muitos. 
Beijo.  

sábado, 10 de novembro de 2012

19 Como Nascem os Cravos e as Rosas




Ela veio ao mundo desnuda de maldades
Trazia no olhar brilho intenso, o qual iluminava o que vislumbrava
Acreditava no amor e num tal “felizes para sempre”
Até que um dia resolveu aventurar-se por outros corações

Apaixonada, entregou-se, mergulhando de cabeça
Permitiu-se envolver mais e mais
Até não saber onde ela própria começava e o outro findava
Estava voando, leve como a brisa em seus cabelos

Entretanto a realidade atingiu-a em cheio
As promessas mostraram-se falsas
As palavras vazias
Enfim ela caiu

Levantou-se, tempos depois, contudo estava mudada
Raízes prendiam-na ao chão
Espinhos projetavam-se de seu corpo
Permanecia bela, delicada, porém armada

               ***

Ele chegou inocente
Crente na sinceridade dos sentimentos
Disposto a amar, confiante na resposta
Esperançoso em seu íntimo

Passou por caminhos que o levaram às alturas
Planejou sonhos nos papeis do pensamento
Ergueu projetos de uma vida
Duas, na verdade

Todavia, a resposta não veio
Os papeis perderam-se e os projetos ruíram
A esperança foi a última a permanecer
E por fim também morreu

Prendeu-se nas lembranças que nunca houve
Perpétuo, ficou vagando solitário
Fechou-se em si mesmo, mostrando força no aroma exalado
Escondendo o odor da decepção

               ***

Ela encantava a todos com sua graça
Arranhava, descartava e partia
Ele proferia lisonjas antes sinceras
Usava, provava e partia

Ela repetia as mesmas promessas falsas que ouvira
Ele destruía os mesmos projetos que um dia criara
Ela estava autossuficiente de relacionamentos
Ele, satisfeito com o prazer das conquistas

Assim caminhavam o Cravo e a Rosa
Paralelos em seus cursos
Dividindo a mesma amargura
Esbanjando a mesma beleza

Ele, outrora inocente, conhecera uma rosa e tivera seu fim
Ela, sensível, iludiu-se com um cravo e acabou crivada de espinhos
Quem surgiu primeiro não se sabe
Apenas estão ali, lado a lado

               ***

Encontraram-se os dois finalmente,
Compartilharam suas histórias, misturaram seus perfumes
Estranharam-se nas semelhanças
Amaram-se nas diferenças

O Cravo
A Rosa
Debaixo de uma sacada...

Angelus.