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sábado, 10 de novembro de 2012

19 Como Nascem os Cravos e as Rosas




Ela veio ao mundo desnuda de maldades
Trazia no olhar brilho intenso, o qual iluminava o que vislumbrava
Acreditava no amor e num tal “felizes para sempre”
Até que um dia resolveu aventurar-se por outros corações

Apaixonada, entregou-se, mergulhando de cabeça
Permitiu-se envolver mais e mais
Até não saber onde ela própria começava e o outro findava
Estava voando, leve como a brisa em seus cabelos

Entretanto a realidade atingiu-a em cheio
As promessas mostraram-se falsas
As palavras vazias
Enfim ela caiu

Levantou-se, tempos depois, contudo estava mudada
Raízes prendiam-na ao chão
Espinhos projetavam-se de seu corpo
Permanecia bela, delicada, porém armada

               ***

Ele chegou inocente
Crente na sinceridade dos sentimentos
Disposto a amar, confiante na resposta
Esperançoso em seu íntimo

Passou por caminhos que o levaram às alturas
Planejou sonhos nos papeis do pensamento
Ergueu projetos de uma vida
Duas, na verdade

Todavia, a resposta não veio
Os papeis perderam-se e os projetos ruíram
A esperança foi a última a permanecer
E por fim também morreu

Prendeu-se nas lembranças que nunca houve
Perpétuo, ficou vagando solitário
Fechou-se em si mesmo, mostrando força no aroma exalado
Escondendo o odor da decepção

               ***

Ela encantava a todos com sua graça
Arranhava, descartava e partia
Ele proferia lisonjas antes sinceras
Usava, provava e partia

Ela repetia as mesmas promessas falsas que ouvira
Ele destruía os mesmos projetos que um dia criara
Ela estava autossuficiente de relacionamentos
Ele, satisfeito com o prazer das conquistas

Assim caminhavam o Cravo e a Rosa
Paralelos em seus cursos
Dividindo a mesma amargura
Esbanjando a mesma beleza

Ele, outrora inocente, conhecera uma rosa e tivera seu fim
Ela, sensível, iludiu-se com um cravo e acabou crivada de espinhos
Quem surgiu primeiro não se sabe
Apenas estão ali, lado a lado

               ***

Encontraram-se os dois finalmente,
Compartilharam suas histórias, misturaram seus perfumes
Estranharam-se nas semelhanças
Amaram-se nas diferenças

O Cravo
A Rosa
Debaixo de uma sacada...

Angelus.
 
 

19 comentários:

  1. É possível dizer que a dor em qualquer um dos seus níveis nos transforma de algum modo. Dificilmente podemos dizer que continuamos a ser os somos mesmos após uma tragédia ou decepção. Por outro lado, todos temos nossas facetas, algumas tentamos esconder e abaixar seu volume para que outras ganhem voz e apareçam com toda sua força prontas para encarar o mundo de peito aberto. E nesse ponto, penso, seria uma transformação/mudança ou apenas um amadurecimento do que estava ali?

    Prefiro pensar desse modo até porque, assim como no caso do Cravo e da Rosa, algumas facetas nada mais são do que lados da mesma moeda. Por isso, não dá pra saber quem surgiu primeiro....ou dá?

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    1. Dificil saber quem veio primeiro, amigo. Algumas facetas nossas vão surgindo ao longo da vida, por necessidade, por amadurecimento. Enfim estamos em constante processo de mudanças. As circunstâncias nos levam a isso. Às vezes para o bem, outras para o mal.
      Abração.

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  2. Sim o fim foi familiar, mas eu não conhecia a história de vida dos dois... Gostei!
    bjks doces e bom domingo

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    1. É verdade, Marly. Acho que essa foi a biografia não autorizada deles! hehe
      Bom domingo pra você também. Beijo.

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  3. Olá!Bom dia!
    Angelus...
    Tudo bem?
    ...vou partir do final familiar, também! Uma dúvida que eu tenho, afinal na descrição da "biografia não autorizada" (risos) não tem nenhuma referência:Por que eles estariam debaixo de uma sacada? Estariam eles plantados em um jardim sob a sacada? Seria uma referência à famosa "cena do balcão" de Romeu & Julieta? Se for a primeira: eles sempre estiveram lado a lado, "semelhantes",só faltavam "amar"nas diferenças.
    Se for a segunda: vc sabe como vai terminar...
    Obrigado pelo carinho da visita!
    ótimo domingo!
    Abraços

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    1. Oi Felisberto.
      Eu rezo para que seja a primeira opção. A segunda é mais romântica e tal, mas o final é muito dramático. Para duas pessoas que já se decepcionaram tanto na vida, é mais que merecido um final mais feliz.
      Abraço!

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  4. Muito bom, Angelus. Ficamos cegos perante a beleza da felicidade, nossa fraqueza. Mas nos transformamos quando encontramos a decepção. O cravo e rosa. Gostei muito da história XD
    Grande abraço

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    1. Concordo, Mateus.
      Diante de uma decepção sempre temos a opção de reagir, nos transformarmos para superar essa dificuldade. Isso também é sinal de amadurecimento da pessoa.

      Abração.

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  5. Angellus Perfeito texto. Ameii!
    É impressionante como de uma certa forma a 'dor' as vezes nos trás progressos..Rs
    Vc é realmente meu ídolo!
    Beijão querido!

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    1. Que isso, querida, não é pra tanto... rs
      Tenho que te agradecer de novo, você sabe pelo quê. Te admiro. Um final feliz pra todos nós!
      Beijão. Fique com Deus.

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  6. Oi Angelus
    Que bom tê-lo de volta seu sumido kkkkkk. Lindo poema. Como vc conseguiu transformar uma simples cantiga de ninar num poema tão complexo? Vc voltou com a corda toda einh meu amigo?!
    Bjão. Fique com Deus!

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    1. Experiência própria e compartilhada por outra amiga, Luciana! rsrs A vida é complexa.
      Obrigado, querida, fica com Deus também. Beijo!

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  7. Olá, Angelus.
    Excelente poema; todos nós sofremos decepções e frustrações na vida, enquanto não aprendemos que o mundo é aquilo que é, e não o que gostaríamos que fosse.
    O quanto isso irá nos afetar permanentemente é uma escolha apenas nossa.
    Abraço.

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    1. Tem toda a razão Jacques. O sofrimento tem fim quando escolhemos parar de sofrer. Aceitar as coisas e tentar tirar o melhor de cada uma delas é fundamental para isso.
      Grande abraço.

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  8. Muito bom! Pessoas que muitas vezes são pisadas pelas circunstâncias, ou por outras pessoas, desenvolvem defesas que na verdade as prejudica. Maravilhoso quando alguém consegue remover estas defesas, e pode amar novamente. Adorei o poema.

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    1. Pois é, Marina. Muitas vezes nos fechamos tentando nos proteger dos outros que acabamos nos afastando do mundo ou ferindo a nós mesmos.
      Superar essas barreiras é ótimo para reanimar a vida.
      Beijo.

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  9. E como soa familiar meu amigo. Que analogia fantástica percebo nesses versos, fora a bela lição que ele nos propõe. Sem demagogia nenhuma achei que esse foi um dos melhores versos que já li aqui, parabéns.

    Abraços

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    1. Muito bom ouvir isso sobre algo que fazemos com tanto carinho.
      Obrigado, amigo.
      Abração e bom fim de semana.

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  10. Na nossa vida sempre vamos encontrar o cravo e a rosa, a alegria e a decepção sempre vai caminhar com a gente. Angelus lá no blog Lucimar Virtual o blog que faz parte da Estrela da Manhã tem post novo se você quiser dá uma passadinha lá pra conferir é só clicar no link abaixo, fique com Deus beijos.
    http://www.lucimarvirtual.blogspot.com.br/2012/12/como-falar-que-o-papai-noel-nao-existe.html

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