Pesquisar neste blog

sábado, 28 de janeiro de 2012

13 O Poeta Que Desaprendeu Escrever




Em uma cidadezinha pequena, vivia um poeta adorado pelos moradores. Seus versos tocavam profundamente quem os lia. Escrevia sobre sentimentos comuns a todos, porém de forma única. Uma sucessão de palavras que fluíam leves como o vento. Era, enfim, um verdadeiro artista das palavras, autor de maravilhas frasais.
     Esse poeta, conhecido como Jean, O Arquiteto da Alma, publicava suas poesias todos os domingos, na única praça da cidade. Escrevia à mão, com caligrafia impecável, numa tela grande sobre um cavalete, e deixava junto ao chafariz. Fazia-o sempre antes do nascer do sol, quando a cidade ainda dormia, e partia em seguida. Mesmo reconhecido por todos, ele nunca conversava sobre seus poemas. Escrevia-os para serem lidos e interpretados de forma pessoal. Não se achava no direito de impor um significado exato.
     Contudo, a inveja era um mal que alcançava até os lugares mais remotos, e não foi diferente com aquela cidade. Certo cronista do jornal local não suportava ver como o poeta Jean era admirado e pensou numa maneira de acabar com seu sucesso. E finalmente encontrou um modo.
     Suas crônicas eram publicadas todas às segundas-feiras. Então, ele baseava-se na poesia do Arquiteto que fora apresentada no dia anterior e discorria sobre ela, como que debatendo seu tema. O cronista passou a atribuir significados maldosos aos versos do poeta. Criava sua própria interpretação errônea e manipulava os leitores a pensarem daquela mesma forma. Deturpava a imagem criada e invertia o sentido do que era transmitido.
     No início, as pessoas não deram muita importância. O próprio poeta não se incomodou, pois julgava que o cronista tinha liberdade para fazer sua própria reflexão a respeito dos seus versos. Entretanto, a cada nova poesia, lá vinham as crônicas mordazes e aquilo começou a atrair demasiada atenção. Os habitantes passaram a ver a poesia do Arquiteto com outros olhos. Assim, Jean, atônito, pôs em dúvida seus próprios sentimentos no momento em que escrevera sua obra.

     Estariam eles corretos e eu errado? Era isso mesmo que eu estava sentindo?
     Mas afinal, o que eu estou sentindo?

     Afundando-se cada vez mais na incerteza, Jean desesperou-se. Começava a desenhar as letras na tela e logo as descartava. Não conseguia mais dar continuidade às suas ideias, as palavras perderam a fluidez. O Arquiteto perdera a inspiração. Perdera os sentimentos. Num determinado domingo, sua poesia não estava mais lá. De fato poucas pessoas deram falta. Elas já não se aglomeravam para lê-la fazia tempo.
     Foi a glória do cronista. Conseguira seu intento. Continuou escrevendo seus artigos por mais alguns meses. Porém, gradativamente tornavam-se mais medíocres. Também ele não tinha mais inspiração. Não havia mais um poeta a quem criticar.
     O tempo não se comoveu e continuou passando da mesma forma. E a cidade perdia seu brilho a cada novo nascer do sol. Do poeta ninguém sabia. Perguntas sobre ele surgiam com mais frequência a cada dia. Até o cronista ansiava por mais uma de suas poesias.
     Então, numa manhã fria de domingo, uma tela repousava na frente do chafariz, coberta por um lençol branco. Ao seu lado, estava o poeta Jean. Ele voltara!
     Quando todos já estavam reunidos na praça, inclusive o cronista, Jean puxou o lençol e revelou a obra do Arquiteto da Alma. 

     Este é o meu presente para vocês, disse apenas, sem emoção na voz.

     Todos prenderam o fôlego ao mesmo tempo. Ninguém compreendeu de imediato e ficaram simplesmente em silêncio.
     Ali, na frente de todos aqueles rostos perplexos, jazia uma tela em branco.
     Sem uma palavra, Jean retirou-se. Depois de um tempo, murmúrios ganharam vida. Os espectadores questionavam-se o que estaria sentindo o poeta naquele momento. Não encontraram nenhuma resposta.
     Enfim, alguém fez a pergunta mais importante.

     O que nós estamos sentindo agora?
     
     Silêncio.
     Sem cerimônias, a verdade foi revelada. Rostos vazios, pessoas vazias. Aos poucos elas foram... Simplesmente foram, mas não sabiam para onde.
     O Arquiteto findara seu trabalho. 

Angelus.

segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

7 (...)

Sentimento ambíguo
Aliado da distância
Um pequeno espinho na grande rosa
De expressão zombeteira
Ainda assim é incapaz de nos esmorecer
De repente, qual um milagre, perde as forças
E enfim torna-se lembrança

    Palavra bela, significado dolorido
    Sentimento nobre
    Apenas uma mensageira

    Ressaltando a marca do que já se foi
    E anunciando algo por vir
    De volta para casa...

Angelus.


Sabor da alma
Amor atrelado em versos
Um sentimento com gostinho de bis
De dentro, por dentro da gente
A costurar os retalhos que a vida deixou
Desconfia do destino e credita a fé
E então, respinga doçuras
   
    Faz morada; o longe também é casa
    Basta afeição
    E lá vem ela

    Desvenda o que vai ao íntimo
    Chora e revigora
    E passa, e volta...

Wanderly Frota.


Mais uma parceria com a incrível Wanderly Frota, uma pessoa muito querida para mim.
É sempre um privilégio poder escrever em compnhia de alguém tão delicada com as palavras e com sentimentos. Para quem já conhece e principalmente para aqueles que não conhecem, convido vocês para conhecerem seu blog:

   

   

quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

13 Na Medida do Meu Possível


Eu tentarei
Farei tudo o que estiver ao meu alcance
Lutarei
Irei o mais longe que puder

Na medida do meu possível

Sim,
O Meu
Porque é o único que conheço
Pelo menos assim suponho

Meu possível

Ele é do tamanho de...
Bem, não sei de que tamanho é
Só me resta jogar as fichas
E contá-las no final

Apenas sei que é meu

Almejo que seja o bastante
Assim o será
Será?
Veremos.

Na medida do possível...

Angelus.