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quinta-feira, 26 de dezembro de 2013

2 Paradoxo

fonte da imagem


Quando olhares pela janela esta manhã,
o Sol não terá nascido.

Quando sentires o aroma das rosas,
elas não terão desabrochado

Quando veres o relógio,
as horas não terão passado.

Quando pensares que corre,
nem terás caminhado.

Quando estiveres no chão,
sequer estarás caído.

Quando alcançares o céu,
ainda não terás alçado voo.

Quando achares que estás vivendo,
nem ao menos terás nascido.

Quando leres estas palavras,
tu ainda não as terás escrito

Mozer.


terça-feira, 26 de novembro de 2013

1 Doutor Eu *

imagem retirada da internet


Na busca por uma estrela
Viajei pelo céu
E acabei me deparando com um anjo

O curso foi alterado
Os mesmos olhos agora enxergam diferente
A mesma estrela teve o brilho enfraquecido

A pessoa que eu era ontem
Não é a mesma de hoje
Regenerei-me

Adaptei-me às adversidades
Tornei-me aliado do Tempo
Esse senhor de si mesmo

Todo recomeço descende do fim
Todo depois depende do antes
Todo futuro necessita do passado

A linha temporal que os conecta
Que os torna iguais, mesmo sendo diferentes
É um pequeno momento infinito:

A essência do ser


*poema livremente inspirado na série britânica Doctor Who.

Mozer.


quarta-feira, 6 de novembro de 2013

2 Brindo com Palavras

Imagem da internet


Curioso como um monte de desenhos num pedaço de papel pode dizer tanta coisa. Curioso como os sons vão ganhando forma ao passarmos os olhos pelas linhas e uma voz ganha vida em nossa cabeça. A nossa própria voz, a da pessoa que escreveu ou até uma que nunca escutamos. É ouvir com os olhos.

Admirando quem sabem brincar com as palavras, até me esqueci que às vezes me arrisco nessa aventura. Fazemos pessoas sãs ouvirem vozes no silêncio. Quem é mais louco nessa história, eu desconheço. Só sei que deixamos nosso recado. Ou tentamos.

E a isso eu brindo!


Mozer.

segunda-feira, 14 de outubro de 2013

1 30.000 visualizações do VPC

O Versos, Prosas e Colóquios atingiu mais uma marca simbólica.
Mesmo eu postando com pouca frequência e não interagindo como antes na blogsfera, ainda sim é bom chegar a esse número.

Sem mais enrolações, OBRIGADO!

Mozer.

sexta-feira, 4 de outubro de 2013

3 Metamorfoseando

imagem retirada da internet


A procura está encerrada
Eis que surge a verdadeira dona
Detentora destes versos desconexos

A linha tênue do afeto foi ultrapassada
O que era belo transformou-se
Agora é Infinito

Musa verdadeira
Pura de alma
De olhos mutantes

Mesmos olhos que outro dia julguei brilhar
Um fulgor rápido
Porém repetido várias vezes na lembrança

Estes versos são uma pretensão e um risco
Humildes e ousados
Mas acima de tudo transformadores

Com igual efeito
Para ambos
Assim espero

Que teus lindos olhos os vejam
Os aceitem
E transmutem o teu coração

Um sentimento real
Em palavras torna-se vago
Indescritível

Tu és anjo, fada, ou o que for
Exerce mágica sobre mim
És enfim,


A minha inspiração.

Mozer.

terça-feira, 1 de outubro de 2013

2 Meu Eu Normal

Imagem retirada da internet


Ah, meu Eu normal,
Desculpe a sinceridade
Mas você é tão chato!

Nem mesmo eu gostaria de você
Caso fosse outra pessoa

Onde guardas todos os desejos?
Onde esconde todos os pensamentos?
Todas as verdades não ditas?

Desprenda-se dessa fachada
Imposta sob ameaças de não aceitação

De tanto querer agradar
Não agrada a ninguém
Muito menos a si próprio

Pare de falar e faça
Pare de pedir e tome

Daqueles que te contemplam verdadeiramente
Desprovido de fórmulas
Sorte ou azar

Perdoe a honestidade
Não a confunda com descortesia

Sei que é sombrio pensar isso de você
De nós
De mim

Mas uma Leanan veio visitar-me
E agora perdi o bom senso

Ah, meu Eu normal
Ao menos uma vez entremos em acordo
O real nos espera

Você está pronto?


Mozer.


quarta-feira, 10 de julho de 2013

6 Palavras São Vento...



fonte


Até outro dia pensava que isso fosse verdade.
Agora tenho certeza que é.
Palavras são brisas que sopramos, para refrescar a alma de outro alguém.
O vento morno que aquece quem está com frio.
A rajada que enfuna as velas, e faz o navio mover-se.
São as mãos que acariciam aqueles que não podemos tocar...
Palavras são vento...
Mas podem ser tempestade.
Fazer-se temporal na vida daqueles a quem atingem.
Desnortear. Confundir. Afundar...
Dê poder a um homem e ele revelará seu verdadeiro semblante.
Dê Palavras e será muito semelhante.
Não tanto no começo.
Elas são de mais fácil controle. Manipuláveis.
Mascaram-se.
Mas com o tempo elas se acumulam, se contradizem.
Vão se interligando e formam a corda que virá a enforcar todas as mentiras.
Por isso deve-se tomar cuidado com as Palavras.
Usá-las com sabedoria. Com verdade.
Sozinhas, já bastam para deixar uma marca.
Aliadas aos atos, elas são invencíveis.
Tornam-se palpáveis. Físicas.
Há perigos.
Porém também há beleza nisso.
Uma metamorfose de palavras em gestos.
De carinhos em afagos.
De orações em bênçãos.
Palavras são vento.
Assim como o Verbo que se fez carne.
Assim como surgimos...
...De um sopro de vida. 

                                                                                       Mozer.

sábado, 29 de junho de 2013

1 Antítese





Mudanças
Para afirmar que o Tempo não para

Erros
Para mostrar-lhe que ainda é humano

Dor
Para lembrá-lo de que ainda está vivo

Saudade
Para dizer que ainda há amor

Sombras
Para destacar o brilho da luz

Morte
Para legitimar o valor da vida


Mozer

domingo, 16 de junho de 2013

4 Angelicalidade





Procura-se uma dona para estes versos
Que os motive
Que os inspire
E os aceite

Não precisa ser perfeita
Seria redundância
Basta apenas ser única
Singular de manias e trejeitos

De que vale aparência...
Olhos negros ou azuis
“Angelicalidade” está na alma

Que sentimentos vençam pensamentos
Que atos vençam palavras
E a coragem de se entregar

Seja maior que o medo de amar

Mozer.

sábado, 18 de maio de 2013

4 Livro: De Pernas Para o Ar - minhas memórias com Garrincha



Fonte da imagem



Ao ler o título deste livro, assim que bati o olho no nome “Garrincha”, o primeiro pensamento que veio até mim foi: “é um livro sobre futebol? Mas eu não entendo nada de futebol!”. Realmente o esporte mais famoso do mundo serve como pano de fundo para esta obra, afinal foi através do futebol que um nome se fez mito.
      
      Porém, Gerson Suares, nos apresenta, por meio de várias crônicas, um Mané Garrincha diferente, aquele de fora dos gramados: a pessoa, o menino, o homem. E o autor tem um ponto forte a seu favor: como filho da cantora Elza Soares e enteado do craque, ele teve o privilegio de conviver com Mané e de testemunhar diversos momentos de sua vida, desde os mais engraçados até os mais comoventes.
      
      O livro é dividido em três partes e em cada uma delas um lado de Garrincha é mostrado. Na primeira, entramos nos bastidores do futebol, com boas risadas diante dos diversos “Joões” que Mané foi deixando para trás, entre outros fatos divertidos. Na segunda, sentimos suas dores e nos emocionamos junto com ele. E para encerrar em grande estilo, somos extasiados por um show de descontração; passando pelo Mané contador de causos, o malandro, o garoto; e conhecemos Chico Preto, um boi nada convencional, uma cobra, um bruxo...

      Depois desse livro, é impossível não associar a imagem do Gênio das Pernas Tortas a um inocente menino, que gostava mesmo era de brincar; que não sabia diferenciar as pessoas por simples status – na verdade, isso nem importava muito para ele. Difícil não imaginá-lo no seu fusca verde, andando pelas ruas do Rio de Janeiro, sempre humilde, tratando bem os torcedores, tanto os do seu time, quanto os dos adversários, que se renderam ao seu talento. Mesmo para quem não viveu naquela época, não viu Mané jogar e sequer lembra-se do seu semblante, fica fácil montar um retrato de Garrincha na mente, como se fosse aquele velho amigo com quem você pode contar.




Leia aqui uma entrevista com o autor.
A respeito do autor, posso dizer, com propriedade, que o Gerson é uma grande pessoa, um ótimo professor, violonista e um amigo, que sabe o que dizer e quando dizer. O talento com as palavras nota-se a cada crônica lida e é fácil perceber que o convívio com o Gênio teve grande influência na pessoa que ele é hoje.





Mozer/Angelus.