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sexta-feira, 8 de agosto de 2014

1 Multifuncional



Chega de meias palavras
De meios pensamentos
De meios gestos
Chega de meia vida

Pé na estrada e corações ao alto!
A passagem comprada é só de ida

Aquilo que sabe
É que continua não sabendo
A única certeza
É de que não tem nenhuma

Mas vamos seguindo em frente
Que uma hora o passo se acostuma

Seus pés a levam numa direção
Sua cabeça a empurra para outra
A razão a puxa para trás
A realidade a obriga a ficar

E daí? Isso não importa!
O coração – rebelde – quer voar

Nem tente decifrá-la
A língua dos loucos não tem tradução
Desista de entendê-la
Isso nem o Seu Sigmund explica

Mas uma coisa é certa
O vento sopra na direção em que se acredita


Para R. 
Feliz aniversário.

sexta-feira, 18 de julho de 2014

0 Andanças

Fonte



Deixei-me guiar pelos rastros de suas páginas
Seguindo atrás de pegadas distraídas
Viajei por palavras e me perdi em sentimentos
Agora não quero mais voltar

Alçamos Voos em uma jornada só de ida
As páginas distraídas agora têm seu nome
Esperei desvendá-la ao final da trilha
Porém encontrei a mim mesmo esperando por ela

Os seus sonhos projetados, edifico em verdades
Aos meus dias construídos, ela fornece cor
Às palavras no papel, damos significado

E à distância que nos separa sequer tem valor...

Mozer.
Para W.

sábado, 8 de fevereiro de 2014

3 A Menina Que Roubava Livros



      Minha primeira reação ao saber que um best-seller será adaptado para o cinema é ficar com um pé atrás. “Hummm, será que vai ficar bom...?” Essa reação é bem comum, considerando o impacto que a obra original causa. Esperamos, no mínimo, que a história retratada na telona seja a mesma que lemos nas páginas do livro. Quando isso não acontece, é uma verdadeira decepção. Mas ao assistirmos àquilo pelo qual tanto esperávamos, atingindo todas as nossas expectativas, um sentimento de missão cumprida toma conta de nós. E foi exatamente esse sentimento que tive ao assistir à adaptação de A Menina Que Roubava Livros.

      Eis um filme completo: com doses certas de emoção, humor, aventura e suspense. Para os fãs do livro, a surpresa maior é perceber quão lindamente ele foi ajustado para o cinema. A história de Liesel Meminger, na obra escrita, tem a característica peculiar de ser narrada pela própria Morte. Assim, o diretor Brian Percival usou de um artifício simples para manter essa mesma aura misteriosa, com uma narração onde você reconhece e se arrepia com as mesmas passagens do livro, combinadas com cenas que casam perfeitamente.


      O mais tocante, porém, é a mensagem que, tanto o livro como o filme, nos trás: as palavras têm vida. Elas salvam vidas e criam-nas. Desde o primeiro livro roubado, passando pelos momentos com o judeu Max, no porão de sua casa, dos momentos com seu melhor amigo, Rudy, até o fim de sua própria história, fica claro a força que as palavras têm na vida de Liesel Meminger. Tanto as ditas, como as simplesmente sentidas.

      Tenho que registrar um elogio à atriz Sophie Nélisse, que interpreta Liesel; à Emily Watson, interpretando a mãe; e também a Geoffrey Rush – que dispensa qualquer comentário sobre seu talento – no papel do pai, Hans Hubermann. A cumplicidade de ambos em cena é tão intensa que as mais de duas horas de filme passam despercebidas.

      O ápice está no desfecho. No livro, a emoção passada pela narração é muito forte, de forma que é impossível não se comover. Da mesma forma isso nos é transmitido na película. O que mais impressiona é a leveza da cena, como ela ameniza as barbaridades de uma Alemanha em plena Segunda Guerra, entretanto, ao mesmo tempo, nos arrebata sem nos esconder a realidade.

      Sendo assim, este é um filme que merece ser visto e revisto. Para quem já leu o livro, é uma experiência única ver seus personagens ganhando vida nas imagens. Para quem não leu, é um convite para vê-los vivos nas palavras.


Sim, já vi inúmeras coisas neste mundo. Frequento as piores desgraças e trabalho para os piores vilões. Mas, por outro lado, existem outros momentos.

Mozer.