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sábado, 8 de fevereiro de 2014

3 A Menina Que Roubava Livros



      Minha primeira reação ao saber que um best-seller será adaptado para o cinema é ficar com um pé atrás. “Hummm, será que vai ficar bom...?” Essa reação é bem comum, considerando o impacto que a obra original causa. Esperamos, no mínimo, que a história retratada na telona seja a mesma que lemos nas páginas do livro. Quando isso não acontece, é uma verdadeira decepção. Mas ao assistirmos àquilo pelo qual tanto esperávamos, atingindo todas as nossas expectativas, um sentimento de missão cumprida toma conta de nós. E foi exatamente esse sentimento que tive ao assistir à adaptação de A Menina Que Roubava Livros.

      Eis um filme completo: com doses certas de emoção, humor, aventura e suspense. Para os fãs do livro, a surpresa maior é perceber quão lindamente ele foi ajustado para o cinema. A história de Liesel Meminger, na obra escrita, tem a característica peculiar de ser narrada pela própria Morte. Assim, o diretor Brian Percival usou de um artifício simples para manter essa mesma aura misteriosa, com uma narração onde você reconhece e se arrepia com as mesmas passagens do livro, combinadas com cenas que casam perfeitamente.


      O mais tocante, porém, é a mensagem que, tanto o livro como o filme, nos trás: as palavras têm vida. Elas salvam vidas e criam-nas. Desde o primeiro livro roubado, passando pelos momentos com o judeu Max, no porão de sua casa, dos momentos com seu melhor amigo, Rudy, até o fim de sua própria história, fica claro a força que as palavras têm na vida de Liesel Meminger. Tanto as ditas, como as simplesmente sentidas.

      Tenho que registrar um elogio à atriz Sophie Nélisse, que interpreta Liesel; à Emily Watson, interpretando a mãe; e também a Geoffrey Rush – que dispensa qualquer comentário sobre seu talento – no papel do pai, Hans Hubermann. A cumplicidade de ambos em cena é tão intensa que as mais de duas horas de filme passam despercebidas.

      O ápice está no desfecho. No livro, a emoção passada pela narração é muito forte, de forma que é impossível não se comover. Da mesma forma isso nos é transmitido na película. O que mais impressiona é a leveza da cena, como ela ameniza as barbaridades de uma Alemanha em plena Segunda Guerra, entretanto, ao mesmo tempo, nos arrebata sem nos esconder a realidade.

      Sendo assim, este é um filme que merece ser visto e revisto. Para quem já leu o livro, é uma experiência única ver seus personagens ganhando vida nas imagens. Para quem não leu, é um convite para vê-los vivos nas palavras.


Sim, já vi inúmeras coisas neste mundo. Frequento as piores desgraças e trabalho para os piores vilões. Mas, por outro lado, existem outros momentos.

Mozer.